quarta-feira, 10 de setembro de 2008

falsa calmaria, e então a tempestade.

enfim. triste como todo fim é o fim de coisa nenhuma. e as lágrimas são pelo fim, são por você e são por mim. pelo real e pelo sonho, pelo tudo e pelo quase. pelo silêncio e pelo falar quando o certo seria calar. e pelo não calar, pelo grito e pelo ponto. ponto final. ficamos assim. eu não te odeio e você não gosta de mim.

'Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido'. Caio Fernando

3 comentários:

B. disse...

não tenho nada a dizer, mas Caio Fernando sempre tem:

"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."

mas eu gosto de você, e isso basta.

Anônimo disse...

Ainda que não se deva confundir a arte com a vida - e não é que as duas não tenham relação alguma, porque elas têm, e isso é certo - eu, particularmente, acho pouco vital o que foi dito. Há no texto um ar de saudosismo egoísta e acomodado, uma bandeira de um bem-estar de meio-termo: pra que raios preferiramos nós uma lembrança boa que fica de algo inconcluso a algo vivido como tem de ser vivido, ainda que resulte na máxima dor? Foi para este tipo de bem-estar que nós nascemos? É para isto que estamos aqui? Só para isso? Se contentar com lenços e fotografias e camisas esquecidas é se aconchegar no edredon do passado e negar o vento fresco do presente. Interromper o fluxo parece ser uma maldade com o próprio Deus e com o amor. Parece-me que o amor se dá aos guerreiros, não aos desertores. (minha opinião).

apenas isso. disse...

na minha opinião é vital colocar arte onde não há vida.
isso é o vital!
o que há no texto é o abandono de uma causa, é desistir de uma luta que se luta sozinho e que não adianta.
seria egoísta continuar no erro, seria egoísta não se permitir um bem-estar.
seria triste insistir em bater em portas fechadas pelo simples prazer de sentir uma dor máxima.
o passado foi vivido ao máximo até onde dava.
e ele nada tem a ver com o presente, que talvez graças a ele ou a Deus, é sempre melhor, porque aprendemos, evoluimos e não repetimos coisas repetidamente para não repetir sofrimentos.
é para mim, sinto que o amor deve ser recebido e não exigido, não batalhado.
ou se tem ou não se tem.
e às vezes, sim! temos de nos conformar!
(falo por conhecimento de(a) causa)